quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

BREVE POESIA MORENA DE UM ANO


não mais escrevo com versos
converso apenas com o mundo
sobre o mundo
no mundo
mundo fora
e fora de mim...

porque não mais converso com versos comigo?

................................................................................................
................................................................................................
................................................................................................
................................................................................................
................................................................................................
................................................................................................
................................................................................................
................................................................................................

porque no silencio das linhas desse papel
minha alma poesia ganhou forma, curvas e cor
minha alma poesia completa hoje um ano de vida
minha alma morena poesia... leve, serena a vagar
a mais bela de todas morenas almas...
minha pequena, não mais te incubo em poesia...
minha pequena, és tu quem incuba todos os meus versos
e os declama com curvas, sabor e perfume
seu perfume... canções... slide away... nossa partitura...
morena poesia minha
versos que te devoro
versos que te respiro


versos que te Amo...


...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

DES-LUGAR...



Estar aqui sozinho é tão incompleto sem você...

Se um dia você me abandonar, esse se tornará o lugar/canto mais emblemático na canção "as vezes me vejo trancado em um lugar que você desenhou"... E esse as vezes será para sempre... Cores que ironicamente irão amaldiçoar esse lugar...

Quando você me abandonar, esse será um des-lugar... E quando, por acidente, sozinho eu retornar, deixarei de estar incompleto, para estar suspenso no ar, tamanho o peso do vazio de quando você me abandonar...

...

domingo, 12 de janeiro de 2014

O SONO... A INSÔNIA...



“Irmão eremitas, eu lhes falo na língua do sono, que somente os sonhadores podem falar, ouvir e compreender. Na terra do sono há visões ricas, música maravilhosa, beleza para todos os sentidos e pensamentos que não ousam existir sob a luz forte e impiedosa do sol. Não acordem do seu sono e não resistam aos outros eremitas usando seus próprios meios, porque embora possam vencer, se tornarão como eles, cegos à beleza, à delicada visão, a tudo que os duros fatos destroem no mundo desperto. Portanto, durmam...” (Bertrand Russel, 1929)


Esqueça permanentemente
O silencio que desejou segundos atrás
Profundo e eterno
Que não se findou

Esqueça os planos organizados
Da realidade a utopia
Da luta a paz
Da paz a entropia

E esqueça que o sangue que escorre em sua face
Assisto e alimento
A dor e a humanidade

Que a voz que nos ergue é fruto da crise
Do medo e do ódio
Coragem e fantasia

Esqueçam as regras socializadas
Eles ou elas
Aqueles que amam
Saboreiam a dor e a humanidade

Das vitórias vivenciadas
Esqueçam as vidas derrotadas
Aqueles que lamentam
Choram a dor e a humanidade

Censure a censura
Da luta a entropia
Desliguem os sentidos
A música e a poesia...

Plantem os sonhos codificados
De sensações superficiais
Da paz a guerra
Da guerra a “distopia”...

Ecos internos disparam contra nossos corpos
Movimentos que nos traem...

Dar novas cores e lados ao tempo
Traem-me os olhos conformados às sombras...

Ao mal e a cura
Ao bem e a dor...

Ao negro e ao sono
Ao alvo e o despertar...

Vou me recortando...
Me “des-recordando”...
Me “inanimando”...

Vou me aprofundando na insônia para nunca mais sonhar
E sentir a dor... E a humanidade...

E ver outro alguém... Dentro de nós...

Eu fora de mim...
À liberdade...

...

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

TEMPESTADE...


Viver tem sido carregar todos os fardos de sinuosos movimentos que uma Ventura pode nos brindar...

Por longas datas um tempestuoso devir buscara daqui me deslocar, por todas as direções e flechas que indicavam um caminho, que sob o caos, existia um lugar pra me confortar... Me conformar...

Uma casinha assim, 2 por 2, igual a 4, com comida, água, alma lavada e um ar pra respirar...

E todo o amanha assoprado violento pelo caos, era desmatado por simples contas matemáticas ou preces de uma oração...

Na ponta dessa flecha eu me deslocaria adiante, distante de outras direções...

Eu seguiria adiante, devir constante, desenfreado, desbravador para além das estrelas...

Seguiria... Seguiria... Mas fiquei... E por longas datas me finquei e resisti o voraz avanço da tempestade, que por vezes adormecia e uma leve brisa me sincronizava você...

E por essas vezes, montávamos uma casinha assim, 2 por 2, igual a 5...

E com golpes de pincel, pintávamos e coloríamos um céu... Um sol e um oceano para em seus mares navegar, em sereno exílio...

Por vezes a melodiosa brisa cantava nós dois... E esse às vezes então chegava ao fim com o anuncio da próxima e longa tempestade que carregaria junto com a casinha, as cores e você... Pois ali novamente me finquei, por longas datas, querendo acreditar que, a tempestade em círculos, um dia completaria sua volta... E traria você de volta...

Postado fiquei e dezenas de brisas “retornariam” sem sincronizações, sem mais canções. Trazendo de inicio a solidão seguida do silencio da solitude...

Sem base, sem estrutura e sem sonhos para ao menos levitar rumo às estrelas e dali montar um onírico solar e ver você navegar além... Partir de carona sob as flechas em devir voraz, adiante, adiante e adiante...

“hoje eu decidi fazer uma rua só pra você... deve ser um monte de coisas que sonhei...”


Viver tem sido carregar um fardo de Venturas, esperando a tempestade se dissipar, pra eu ver você passar... Morena... Dançando e bailando deliciosamente, dissonante à violenta tempestade do caos...


domingo, 31 de março de 2013

SONHE-ME...


Sussurre uma só vez mais em meus sonhos morena...
"Iremos nos encontrar"...
Numa esquina qualquer
Numa mesa de bar
Como a ventura quiser
Ao mando do caos
Da utopia a entropia
À sorte ou azar...

Sussurre em ondas, oníricas meu bem
Em mapas e trilhas, nos guarde também
Símbolos em canções
O destino em sincronia
Assoprado em poesia
Sussurre em sonhos, meu bem...

Sonhe-me até ti
Sonhe-me para casa
Sonhe-me à Avalon
Sonho-te até mim...

Sonhe-me em seus mares
Sonhe-me suas ondas
Sonhe-me seus lábios
Sonho-te sem cais...

Brindemos em luxuria
Em vinho e ambrosia
À imortalidade
Ao fim
Ao eterno retorno
Sonhe-me profundamente em ti

Sonho-te voraz
Sonhemos Supernova...

Desperte-me sem ti
Que morro enfim
Trancado em cores, esquinas e bares
Sem mais sopros e poesia
Vago e vago sem rumo
"Desaguardo" distraído pelo dia

Que possas tu, moça, meu bem
Cantar novos sussurros
Incitando-me a sonhar uma vez mais
Nosso eterno retorno
De gloria e ruína...
Veneno e doce prazer
Sonhe-me te viver
Sonhe-me te morrer

Sonhemos Supernova
Sussurre meu bem... Poesia e sincronia...

"Encontre-me em Montauk..."


sábado, 30 de março de 2013

EXÍLIO...


O tempo é uma face n'água... E em seus mares me encontro, refletido e exilado...

11000 dias... Um barco navega, sem quando e sem lugar...


CAVANDO NUVENS...


Você quer me ver fazendo o melhor
Mostro-lhe a face mórbida
Minha face real
Meu melhor estado em notas e papel...

Saltando ao fundo do poço
Você quer me ver fazendo o melhor
Faço o meu melhor
E começo a cavar mais fundo
Profundo
Profundamente...

Esse é o melhor de mim baby...

Retorne a margem e escute o melhor que fui
Cavando tesouros em sombras brilhando intensamente o diamante louco... Eu fiz o meu melhor...


IN SOLITUDE...


Em solitude me desencontro... Onde fui me deslocar?
Em que ponto ponteiro parei pra te acompanhar vagando serenamente sob meus olhares enamorados?
Parei... E diante devir, devo ter me perdido por ai...
Pois sobre esses mesmos olhares, abruptamente, não vi disparar o devir...
Em que ponto cronometro falhei?

Desse devir hoje me escondo, não mais em solidão... Mas em solitude vacante e vagante... 

Em solidão, na proa, a alma a tona me fez gravitar por ti... Por seus traços... Por seus movimentos maliciosos e progressivos... Eram círculos de um ópio voraz... De seu doce veneno eu morria, todos os dias, para me sentir vivo, em solidão...

Em solitude meu bem, nem mais te incubo minha pequena... Em sonhos e barroco, partiu a solidão... E me encontro só, sem ti, sem mim... Sem mapas celestiais, minha poesia vaga pelo umbral... E canto "covers" em recipientes virtuais, exilando meu corpo em paz para se definhar em solitude, sem alma e sem dor...

Em solidão "é de lagrimas que faço um mar pra navegar..."
Em solitude trafego sem poesias por um eterno "dia bom em que nada se moveu..."

O vazio me desloca... Sem deixar lugares... Sem me empurrar nas horas... E por agora, apenas assisto sob olhares recipientes o devir... O devir... O devir... O devir... 

Em que ponto ponteiro parei para acompanhar sob meus olhares enamorados você em eu partir?

 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

POESIA...


Escrever poesias é um ato de comunicação que em primeira instancia ocorre entre sujeito e alma... Onde palavras são verbalizadas numa folha de papel...

Palavras desconectadas e caóticas a um observador despertamente desatento encontram ordem e harmonia apenas em um invisível ecossistema... Que é o Inconsciente inebriado e enamorado a tropeçar por nuvens, escorrendo pelos dedos do também invisível poeta...

Porque poetas todos são, mas ninguém nunca viu... Ninguém nunca vê... Poesias engavetadas num vasto porão que insistimos em preencher de preto...

Dar cores ao frio vácuo que é o universo da alma é tornar-se humano em toda sua plenitude...

O observador que encontra pistas da trilha ao Santo Graal nas palavras antes desconectadas e caóticas, poetiza... Poetiza fundindo multiuniversos... Poetiza compondo uma partitura de duas notas que harmonicamente dançam em espiral graças ao choque entre duas brisas...

A esse novo observador, o inconsciente inebriado e enamorado, tropeça por nuvens escorrendo pelos olhos... Nesse momento da poesia, a comunicação cessa, tornando Uno: Sujeito, Alma e Observador...


...

terça-feira, 8 de maio de 2012

A MOÇA QUE ME ENCANTA...


És tu uma moça integra
Sem clichês
Tem seus mistérios exatamente por não ser de fácil interpretação
Não é radical, pois não é nem delicada demais, nem rude demais...
Parece apenas ter o bom necessário de cada parte...
Parece... parece... parece... porque o real pode estar envolvido de mistério...
Esse mistério se traduz em “não forma de padrões decifráveis”...
És tu uma mulher Mulher integra...
Com todos os frutos doces e venenosos que essa condição pode representar... desencadear paixões e estragos...
Bebo e me alimento de sua fonte, magia para tecer poesias...
Vinho e ambrosia...
Moça, você me deixa alto... nas linhas misteriosas do firmamento... e além delas, vago em passos flutuantes, por seus traços em Utopia...
Vou me distanciando enquanto seu encanto emana forças para que eu possa seguir adiante...
Moça, você contém todos os frutos doces e venenosos que sua condição possa representar... desencadear paixões e estragos... o reinado e a ruína de um homem enfeitiçado...
Posso estar enganado quanto a tudo isso... mas então a realidade estaria vedada a mim em forma de mistérios... e isso me encanta... navegar por ti em plena ventura...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ELYSIA...

Minha alma passeia... vagando por Elysia... caçando sonhos...
buscando notas para lhe compor...


Minha alma passeia... vagando por Elysia lentamente...
pausadamente ao despertar dos ecos externos...


imóvel, me posto entre eles e ti... Elysia...


Minha alma anseia em um lugar frio, um canto encantar...
e por ti vaguear lentamente ao desvendar suas nuvens... Elysia...


Em ti encontrei vagamente um lugar pra me confortar... me
fazer lembrar... que ainda existo... mas que parto ao chamado dos ecos externos
a me despertar de ti... Elysia...


Mas levo comigo, guardado em mapas celestiais, um cisco que
ainda existo... dissipado em brumas oníricas, hora ou outra minha alma
passeia... vagando por ti... silenciosamente... suas nuvens... Elysia...



...

Daniel Souza Santos

sexta-feira, 12 de março de 2010

JOANA D'ARK... (SOBRE A BANDA)

Joana D’ark expressa o Tudo e o Nada. A poesia é intensa e cada palavra representa um Universo de possibilidades. Como num sonho, carregado de símbolos que se revelam únicos de sujeito a sujeito, Joana D’ark entoa contos oníricos e cada ouvinte pode e deve apreender a mensagem de forma integra...
Somos um instante, uma instancia, somos uma Situação. Sujeitos essencialmente gerados por determinadas escolhas, num determinado tempo e espaço dinâmico, pois a todo momento tecemos escolhas, agimos e nos espacializamos, a todo momento preenchemos uma falta de inteireza eterna, até o fim de nossos dias...
“...em vez de falar da identidade como uma coisa acabada, deveríamos falar de identificação, e vê-la como um processo em andamento. A identidade surge não tanto da plenitude da identidade que já esta dentro de nós como indivíduos, mas de uma falta de inteireza que é ‘preenchida’ a partir de nosso exterior...” (Stuart Hall, 1992).
Mais do que identidade, somos identificações (um continuo processo). O que escrevo agora, já é um instante perdido no tempo (passado) e pode não ser mais o que penso a respeito do que já foi dito uma ou duas linhas atrás...
Enfim, o que os autores das canções escreveram (letra e musica) para o Joana, representam um determinado instante, uma determinada situação de suas vidas. Sendo assim, Joana já declamou a sua perturbação com a fragmentação das realidades de Kant e a hiperespecialização das ciências...
Que as verdades tão fragmentadas
Se escondem distante
De tudo o que é amplo
Sublime e aéreo
Iguais a você...
Declamara também o seu pessimismo quanto a um possível futuro onde o ser humano se torna obsoleto diante ao impacto das novas tecnologias desenfreadas. O sujeito se artificializa, convertendo-se cada vez mais em maquinas sem alma e sem sonhos... é o Pós-humano...
Eu tenho sim medo de morrer
Uma vez que somos incitados e forçados a despertar de nossos sonhos...
Eu sou assim, há 10000 mil anos, nascendo e morrendo...
Animando o inanimado, “Inanimando” o animado...
Joana, por um instante, entoou sua fobia pelo caos urbano, palco e materialização de todos os seus pesadelos...
São apenas bestas
Serpentes recheadas de pecado e prazer...
Nossas árvores não purificam o ar
Centenas de moradias sobre galhos de vidro
Temos animais velozes
Cegos... Mas chegaremos a tempo...
Joana num certo momento deixara a caverna e descobrira novas realidades não aceitas por um senso comum. Uma sociedade conformada a um mundo simplificado e formulado por cálculos exatos...
E quem apela aos seus encontros
Não vão dizer se é cura ou dor
E quem se nega aos seus desencontros
Vão lhe dizer o que é a cura e a dor
E sendo hostilizada pelos homens da caverna, Joana temeu avançar nas escalas da realidade e por alguns instantes escolheu se conformar dentro de um recorte que lhe trouxera mais “segurança”...
Desperte e não descreva
Melhor esqueça o quão distante esteve ser partir...
E por longos instantes repreendera seus reais conhecimentos, mas que constantemente lhe escapavam agressivamente em forma de sonhos e reflexões. Por vezes “desequilibrada”, desejou a “morte”, acreditando ser o único meio de se “libertar”... na “morte”, a “vida”... um paradoxo...
InsôniaRealidade unilateral...
A poesia foi um caminho
Vida, dois pontos, morte...
E Joana continua escrevendo... instantes... situações...
Daniel Souza Santos

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

MUNDO CEMITÉRIO...

Busco paz efêmera, ao lado do descanso eterno, livre de seus pecados e dores, infinito outono. Quem dera fosse o mundo um cemitério, onde a morte faz pensar, purificar e sentir. Vivos são aqueles que partem. Posso te ver ao meu lado, como não posso ser... transparente...
Sua forma, antes negra, torna-se alvor... Sua lâmina, uma ocarina. Sopro sereno a me guiar, por entre gramas coloridas, encontro o meu leito...
Descanso eterno, infinito outono, canto dos pássaros, argêntea luz cintile sobre a lousa...
Que este momento efêmero se torne eterno durante estes minutos. Que este tempo frio nos toque infinitamente pela vida que nos resta. Que a música não acabe jamais. Que minhas lágrimas cessem por viver um impossível, para poder viver realmente o impossível ao seu lado...
Abruptamente as folhas já não caem, verão... Enxergo em cada rosto o calor de sua ansiedade... Quase seca minha fonte... Dia e noite se espelham em suor, corra e alcance o sol!

Desperto, o livro dos sonhos chega ao fim...
Daniel Souza Santos

domingo, 10 de janeiro de 2010

VERONICA DECIDE VIVER...

Hoje decidi viver...
Sim, vou embora...
Sigo o crepúsculo
Triste sonho que antes...
Dor relaxante...
Em seus braços respirava...
Corpo e alma
Nossos sonhos bailavam...
E tocavam...
Brincávamos e queimávamos...
Nossas mãos ao sol...


E quando despertei...
Decidi viver...
A “comorrer”...
Diante tão sublime visão...


Enquanto olhos fechados...
Sonhos trabalham...
Pereço todos os dias...
Hoje decido viver...
A ver tamanho brilho...
Rubi encantado...
Leve e pesado...
Desequilibrado...
Vivo morrendo...
Por ai...
Eu vou até...
A estrada vai...
Estendendo-se...
Decido e aceno...
Oh lasa...
Meu corpo nu...
Pra nunca mais...
Ver teu corpo nu...


Decido viver a ciência...
Nunca mais sonhar...
E ver você aqui...
Dentro de mim...
Perpetua-me em ti...
Oh lasa...
Feche as portas...
Acabou, acabou...
O sino dos ventos...
Não tocam mais...


Lindo fora...
Ver-te ao morrer...
Assim, quando só...
Eras minha...
Que imploro lasa...
Decido viver...
Um lapso eterno...
Nem se lembra mais...
De mim...

Daniel Souza Santos

sábado, 12 de dezembro de 2009

NUMA MESA DE BAR

Sozinho
Compartilhando comigo
Esse instante
Instante
Pausado
Meu melhor amigo, eu...
Meu grande colega
O chefe desse instante
Traz a saidera
O chefe desse instante
Que pausa
E seguimos adiante
E não mais existo...

E confundo as suas coxas
Com as de outras moças
Apenas para me encontrar
Pausado num instante
Em mais uma noite
Pretendo descarregar
Em branco
Milhões de instantes
Perdidos para sempre
Num passado
Instante
E sem vida...

Daniel Souza Santos

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

ÀS VEZES...

Às vezes...
Me perco, e me encontro...
Às vezes...
Me encontro, e me engano...

Às vezes...
À leve brisa
Sou levitado a distancias
Sem deixar de aqui estar

Às vezes...
Ao forte vento
Sou carregado a distancias
Sem deixar de aqui manter

Às vezes eu...
Às vezes você...

E quando às vezes
As minhas lembranças trazem você...

E quando às vezes
Os lugares ganham concepções fenomenológicas...

E quando às vezes
Canções são entoadas em cada esquina...

E quando às vezes
Sonhos e pesadelos se tornam paradoxos...

E quando às vezes
Me impregno de tais pela manhã...

E quando às vezes
Os dias das semanas se tornam sobrecarregados de tanto vazio...

E quando às vezes
Os finais de semanas se tornam abismos...

É quando “às vezes” se tornam eternos...

E é quando às vezes
Me desespero
Me perdendo e me encontrando...

É quando efêmeras às vezes
Me alivio
Me encontrando e me enganando...

E me enganando e me perdendo
Procuro me encontrar
Dentro de um espelho
Ou do seu recorte
Pra sempre me esquecer...

...por completo...

Daniel Souza Santos



quarta-feira, 7 de outubro de 2009

BRINCANDO DE SER DEUS...

Em palavras
Diga-me o que é o amor...
Ouça o que eu tenho a lhe dizer...
E como os sinos da capela...
Voando baixo...
Toque as nuvens...
Você terá um sonho comigo...
Os mesmos pássaros...
Dizem adeus
E você já pode sentir...
Podemos sentir...
À leve brisa nos encontramos
Um lugar para ficar...
E nada para comer...
Escalo, escalo, escalo...
Mais alto mais baixo...
Outono carrega as folhas
Nossos corpos se fundem...
Sem existir...
Sem pensar em existir...
Diga-me o que é o amor
Mas não ouça o que eu tenho a lhe dizer
Como os sinos da capela
Entre o jardim dourado
Outono carrega
Tépido o crepúsculo
Homens apreciam...
O amor desenhado...
Ecoa no espaço
Imaterialmente...
E remo só...
Inerte rumo aos sinos...
Que tocam seu espírito...
Diga-me o que é o amor
Eu lhe mostro o que é ser Deus...
Brincando e fazendo amor...
Beijando os lábios teus...
Ouça...
O que eu...
Tenho...
A lhe dizer...
Sem precisar...
Dizer...
Apenas...
Feche...
Os olhos...
Em silencio...
Ouça...
E toque...
As nuvens...
Leve...
Mente...
Amor!

Daniel Souza Santos

domingo, 4 de outubro de 2009

A MISSA...

Linda moça
Desejo que morra... morra... morra...
Bordada de flores
Das mais belas flores
Irei te velar
Irei te vê lá...

Imutável moça
Desejo que morra... morra... morra...
Para descansar(me)
Desse dia e adiante
Livrai-me do mal, desse instante e além...

Livrai-me do mal, desse instante e além...

Daniel Souza Santos

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

SOBRE O INSTANTE...

Sobre o instante
Não mais existo
Mas sou Presente, Futuro-Sido

E no exato instante
Eu sonhei
Eu amei
Eu desejei
Eu escrevi
Eu fui... Nesse instante... Eu fui...

O que você sonhava
E amava
E desejava
E escrevia sobre... O instante...

Não existe mais
Não mais existo
Nesse instante
Eu desisti...

...
...
...
...

...
...
...
...

Sobre o instante
Não mais existo
Mas sou Presente, Futuro-Sido...

------------------------------------------------------------------------------------------


Das suas pausas
Dispersas no tempo

------------------------------------------------------------------------------------------

Das suas pausas
Perdidas no tempo...


-------------------------------------------------------------------------

Sobre o Instante pretendo também dizer sobre a Identidade, assim, quando escrevo que “sobre o instante não mais existo”, o mesmo vale para a identidade. Quanto à identidade, entendo o que Stuart Hall quis dizer ao analisar Freud e Jacques Lacam:
“...em vez de falar da identidade como uma coisa acabada, deveríamos falar de identificação, e vê-la como um processo em andamento. A identidade surge não tanto da plenitude da identidade que já esta dentro de nós como indivíduos, mas de uma falta de inteireza que é ‘preenchida’ a partir de nosso exterior...” (Stuart Hall, 1992).

Ora, partindo desse pressuposto, a todo instante que preenchemos a nossa falta de inteireza com novas concepções de identificações, estamos deixando de ser o que agora somos. Logo, nesse exato instante eu fui o que você achava sobre mim.
Quanto ao Presente, Futuro-sido, o que pretendo descrever é como a nossa imaginação/identidade constrói narrativas que juntam o passado e o futuro numa forma de síntese. Tal síntese – segundo o geógrafo Denis Cosgrove – envolve a confirmação simbólica do passado à utopia como função de abertura simbólica do futuro.
Stuart Hall ao falar sobre identidade nacional diz que o “discurso da cultura nacional (...) constrói identidades que são colocadas, de modo ambíguo, entre o passado e o futuro. Ele se equilibra entre a tentação por retornar as glórias passadas e o impulso por avançar ainda mais em direção a modernidade” (Stuart Hall, 1992).
A ideologia (passado) oferecendo mitos e símbolos em conjunto com a utopia (futuro) oferecendo impulsos e desejos a evolução do individuo – com um certo desvio da realidade – seriam enfim, elementos naturais e necessários para o imaginário social (Ricoeur, 1979) e para a identificação. Somos assim, não um instante, uma pausa, uma identidade, mas sim um processo contínuo, mutável e “onitemporal”...

Dispersos no tempo...
Daniel Souza Santos

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O QUE HÁ DE GEOGRÁFICO NA VIDA DAS PESSOAS???

Parti... parti e deixei apenas saudades e/ou lembranças, apenas isso, o que não é nada em um mundo que o que vale é produção, produtos... parti devido a pressão... a opressão... tudo o que sufoca nesse plano de estado desperto, de visão unilateral, visão única construída e imposta de acordo a uma ideologia... parti sem encontrar sentido para me manter... por perder os meus sentidos... o único sentido que eu ainda teimava em acreditar sua existência... e não era Deus (que apesar de tudo respeito aqueles que acreditam nele), não era a ciência (que apesar de tudo respeito aqueles que acreditam nela), não era a igualdade, paz, esperança (que apesar de tudo respeito aqueles que acreditam nelas), não era nenhum deles... era (e sei que muitos não vão respeitar a minha antiga fé, e vão até me ridicularizar por isso) o Amor...

Não questionem o porquê da minha ignorância em tal fé... que eu jamais lhe perguntaria o porque de vossas ignorâncias em tais utopias... era apenas a minha fé, que me concedia sentido... parti... pois o tempo e o espaço me moldaram assim... vocês podem pensar - a partir de seus pontos de vistas, de suas realidades ideológicas - que fui um louco, um louco construído por ter tido a educação errada, ter tido a conduta errada, ter tido freqüentado os lugares errados em um tempo errado, ter conhecido as pessoas erradas num tempo e espaço errado, ter AMADO a pessoa errada num determinado espaço e tempo errado... pois bem... saibam que, no meu plano, nada disso foi sofrimento... foi de muita felicidade (ao meu modo) a educação que recebi de meus pais (com muito amor familiar), de muita felicidade os amigos e colegas que conheci (com muito carinho), de muita felicidade a pessoa que AMEI com fé na minha concepção de amor... todos fatores esses que construíram essa pessoa que tantos admiraram, sem saber o porque de tal admiração...



Sem nos darmos conta, vivemos da pratica geográfica. A geografia esta dentro de casa, nas relações de família, na territorialização exercida por micro-poderes (por nossos pais). A Geografia esta fora de casa, esta na escola com seus alunos distribuídos espacialmente em grupos ou tribos, se territorializando, criando conflitos, gerando um fenômeno característico do espaço escolar, o “bullying”. Praticamos e vivenciamos a geografia nos lugares dialéticos e fenomenológicos. São os lugares gerados pelo choque entre duas temporalidades diferenciadas de Milton Santos, a dialética local-global criando espaços heterogêneos de alienação, de opressão, de pobrezas e riquezas. São os lugares que ganham concepções fenomenológicas, gerando entre eles e seus atores sociais, vínculos de fantasias, fobias, fé, paixões, ilusões e desilusões.

E praticando/vivenciando a Geografia, nos localizamos, nos identificamos e nos planejamos. Alguns ficam, uns partem/migram a lugares concretos, outros partem/migram a lugares utópicos... E a vida segue assim, geograficamente no cotidiano das pessoas...
Daniel Souza Santos